terça-feira, 9 de dezembro de 2008

BOA OUTRINA, MAS FALTA DE AMOR Apocalipse 2.1-7


Introdução
Este texto fala sobre a igreja. É este o meu desejo, quero reflectir sobre a igreja e sua actual, olhando para as sete igrejas do Apocalipse.

Antes de continuar vamos conceituar igreja. Não vou dizer nada novo. Aliás, utilizarei a definição contida na Bíblia Jovem.

Igreja (s.f.). Certa congregação; determinada denominação cristã (Batista, Metodista, Assembleia); todo o povo de Deus em qualquer lugar do mundo; a família de Deus

Definição Alternativa. Lugar para o qual você tem que ir bem arrumado para passar pelo menos uma hora de tédio no culto de domingo.[1]

O nosso texto fala da Igreja que está em Éfeso. A igreja de Éfeso foi organizada possivelmente pelos judeus do Ponto e da Ásia, que estiveram em Jerusalém no dia de Pentecostes. Áquila e Priscila passaram por ali. Apolo pregou na famosa cidade. Paulo passou três anos a ensinar na igreja. Em Mileto, fez seu discurso de despedida aos anciãos da igreja (Act 20.17-38). Escreveu sua carta à igreja aproximadamente cinco anos depois do seu discurso de despedida. Ele amou muito esta igreja. Contudo, o tempo passou e ela permaneceu com a boa doutrina, mas o seu amor arrefeceu. Sua ligação com o Senhor já não era como no princípio.

A igreja estava em Éfeso. Contudo, o que sabemos desta cidade e qual era a pressão que ela exercia sobre os cristãos daquela época?
1.. Era a capital da província da Ásia Proconsular.

2.. Era dotada de dois edifícios notáveis: o templo de Diana (considerado uma das sete maravilhas do mundo) e o teatro.

3.. Praça do Mercado. Uma área de 110 m de comprimento que estava rodeada de vestíbulos com colunas, armazéns e quartos. Em meio ao espaço aberto havia um relógio de água e sol.

Era uma cidade profundamente religiosa. Contudo, o cristianismo casou um impacto profundo na vida da cidade. O evangelho mudou tanto a vida das pessoas daquela cidade que eles levaram os seus livros de artes mágicas para serem queimados na presença de todos (Act 19.19). Porém, com o passar do tempo à igreja se acomodou, deixou de ser relevante. Tinha uma boa doutrina, o ensino era sério, mas estava sem amor. A igreja de Éfeso havia "perdido a alegria que possuía no começo. O seu primitivo amor pela salvação dos pecadores estava extinto. O fogo do evangelismo se apagara."[2] Será que não estamos a nos tornar como a igreja de Éfeso? Temos boa doutrina, defendemos a fé contra a heresia, mas já não temos amor pela evangelização.

A igreja que se encontrava em Éfeso. Estava a ser perseguida. Vivia dias difíceis, mas continuava firme na Palavra. Contudo, o amor foi esquecido e abandonado pela igreja. A igreja sabia o que tinha que fazer, mas não fazia. Estava a perder o seu poder regenerador e transformador.

É de fundamental importância meditarmos no que nos diz este texto. Temos que estar com os corações abertos para que possamos ouvir à voz do Senhor. Quem fala à igreja em Éfeso é o próprio Senhor. É aquele que tem nas suas mãos a igreja e à sua liderança. O Senhor manifesta sua palavra à igreja porque conhece as atitudes da mesma. Ele conhece sua noiva e chama-a ao arrependimento.

Vejamos o que o texto nos diz:

1 - A boa doutrina traz perseverança ao crente 1-3; 6
Esta igreja foi bem doutrinada. Ele teve os melhores pastores da sua época. Foi uma igreja trabalhadora. Era uma igreja com obras. Tinha trabalho para apresentar. Ela não compactuava com os maus.

Quem recebe o evangelho e é transformado por ele. A igreja dá um testemunho autêntico em suas atitudes. É bom notar que o Senhor diz. "Conheço as tuas obras". Que obras são estas?

Creio que estas obras podem ser definidas das seguintes maneiras:
a.. As boas acções que os cristãos realizavam;
b.. Todo o seu comportamento e maneira de viver;
c.. A oposição firme aos falsos mestres

Esta oposição fica patente quando vemos que eles não puderam suportar homens maus. A igreja pôs à prova tais homens e os acharam mentirosos. Numa linguagem muito nossa, podemos dizer que a igreja não ia em cantigas. Este é um bom exemplo para nós. Não podemos aceitar tudo o que é dito em nome do Senhor. Há pessoas que falam em nome do Senhor, mas não tem nada com Ele.

Era uma igreja que tinha discernimento. Sabia separar o certo do errado. Não cedia às pressões e sofria por causa da sua fé firmada no Salvador. Sofria pelo nome do Senhor. Será que estamos dispostos a sofrer pelo nome do Senhor?

O texto nos mostra que o Senhor elogia a igreja pela sua firmeza. Ela não se deixou seduzir pelo erro. Ela combateu o erro. Numa sociedade perdida, que relativiza tudo, a igreja de hoje precisa ter firmeza e não se deixar corromper. Deve marcar a diferença em sua conduta (obras) e no seu serviço (trabalho).

Que nós, igreja em Coimbra possamos ser conhecidos pela nossa perseverança e firmeza no ensino do Senhor.

2 - A boa doutrina pode ser vivida sem amor 4-5
Aqui entramos num momento crucial para a igreja. O Senhor diz que podemos viver com uma liturgia correcta, com um ensino autêntico e mesmo assim, isso não ter sentido. Esta declaração nos lembra 1 Coríntios 13. Aliás, foi de Éfeso que Paulo escreveu para a igreja em Corinto. É interessante o que Paulo diz aos coríntios: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria." (1 Co 13.1-3). Se não há amor, não faz sentido. Não expressa a essência da fé cristã.

Esta igreja tinha uma vida religiosa intensa. Estava servindo e cultuando sem amor. O que notamos aqui é que é possível servir e cultuar sem amar ao Senhor. É possível alguém defender sã doutrina, mas não amar ao Senhor. Assim estava a igreja em Éfeso. A questão é que temos que olhar para Éfeso e pensar em nós. Será que nós não estamos assim? Será que não estamos acostumados, aculturados com a fé cristã? Estamos a servir ao Senhor com amor?

Eis uma igreja que vive um dilema profundo. "O Senhor tinha ensinado que o amor mútuo devia ser a marca que identificasse a comunhão dos cristãos (Jo 13.35). Os convertidos em Éfeso tinham experimentado este amor este amor nos primeiros anos de sua nova existência; mas a sua luta com os falsos mestres e seu ódio por ensinos heréticos parece que levaram ao esquecimento da virtude cristã suprema que é o amor. Pureza de doutrina e lealdade não podem nunca ser substitutos para o amor."[3]

A luta pela pureza, o desejo de permanecer firme diante dos falsos mestres minou o amor na igreja. "Quando o amor de Cristo deixa de ser o motivo capital da vida e do culto cristão, as atividades e esforços do cristão significam muito pouco."[4]

Talvez nos encontremos como os cristãos de Éfeso. É bom termos em conta o que o Senhor nos diz neste texto. Ele adverte sua igreja com ternura. Ele ama a igreja e deseja que ela seja restaurada. Não apedreja, não fala mal. O texto diz que o Senhor conclama sua igreja a fazer três coisas: lembrar, arrepender e praticar.

Há momentos que devemos parar e fazer uma análise séria da nossa vida. É necessário fazer um exame pessoal para ver como nos encontramos. Devemos ver onde estamos a fraquejar.

É fundamental mudar. Arrependimento é mudança de direcção. Que faz uma avaliação da sua vida e ver o que está errado, se houver arrependimento verdadeiro deixará a prática de tal acto e seguirá em outra direcção. É mudança de vida.

Quem deixa o erro, passa a praticar as coisas correctas. Regressa ao primeiro amor. É isso que deve ser feito por cada um de nós.

O que acontece se isto não acontecer?

O texto diz que o Senhor virá e removerá o candeeiro. O que é dito é que o Senhor tira o direito de ser igreja. Passamos a ser um clube social, qualquer coisa, menos igreja.

Ricardo Gondim escreveu um texto muito interessante: Igrejas também morrem. No texto ele narra sua experiência na Inglaterra. Ali ouviu de um pastor que várias igrejas morreram lentamente. Os salões foram vendidos e transformados em bares e boates. No artigo Gondim aponta três motivos para que uma igreja morra: "A trivialização do sagrado. O esvaziamento dos conteúdos. A mistura de fins e meios"[5]. Diante do texto que estamos a meditar acrescento o mais importante: A falta de amor.

Devemos ouvir a advertência do Senhor. Precisamos estar com ouvidos bem abertos para ouvir o que o Espírito tem para nos dizer.

Necessitamos de coragem para parar e voltar ao primeiro amor. Hoje mais do que nunca carecemos de arrependimento.

Devemos perguntar sempre ao Senhor se a estamos motivados pelo amor e a viver no amor e em amor.

O Senhor olhou e viu que a igreja estava em falta. "Tinha perdido a alegria que possuía no começo. O seu primitivo amor pela salvação dos pecadores estava extinto. O fogo do evangelismo se apagara. Aquilo que fizera a igreja ativa e próspera, no começo não existia mais. Se ela não se arrependesse e reproduzisse a sua primeira obra de evangelismo, cessaria de ser uma igreja. As palavras de Jesus a essa igreja deverão servir de advertência às igrejas de hoje. Antes que reconheçam o fato, são capazes de cair na mesma condição. Podem realizar os seus cultos com ordem; ter sermões ortodoxos, pregados com regularidade; fazer ofertas para missões, educação e caridade, mas não ter poder para converter os pecadores. As formas exteriores permanecem, porém falta aquilo que dá vida, crescimento e poder."[6]

Guisa de Conclusão
Quais as lições que devemos tirar com este estudo?

A igreja necessita ter uma doutrina correcta. Não pode compactuar com o erro.

A igreja necessita de bons programas, mas estes não podem ser encarados como espectáculos ou eventos. Devem ser visto como culto de louvor e adoração ao Senhor.

Fundamentalmente a igreja deve viver o amor. Precisa estar fundamentada no primeiro amor. Sendo assim, que sejamos conhecidos pelo amor que nutrimos uns pelos outros.

Que Deus nos abençoe!

Marcos Amazonas dos Santos

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